Primeiros campeões olímpicos da vela brasileira, Alex Welter e Lars Björkström são homenageados pelo COB no Hall da Fama
Dupla conquistou o ouro na classe Tornado nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980 e será eternizada em evento no Rio de Janeiro no próximo dia 08/04

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai homenagear Alex Welter e Lars Björkström, protagonistas de um dos capítulos mais emblemáticos do esporte nacional. A dupla foi responsável pela primeira medalha de ouro olímpica da vela brasileira, ao vencer a classe Tornado nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980, feito que marcou o início de uma trajetória vitoriosa do país em uma das modalidades mais tradicionais dos Jogos. Eles serão eternizados no Hall da Fama do COB em evento no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, no próximo dia 08/04, ao lado de outros grandes nomes do esporte brasileiro como a lenda do basquete Oscar Schmidt e da dupla Emanuel e Ricardo, do vôlei de praia.
A história dessa conquista começou alguns anos antes, a partir de um encontro decisivo que deu origem a uma parceria construída com afinidade, confiança e visão esportiva.
“Eu já havia participado das Olimpíadas de 1972 e 1976 como reserva, mas foi em 1975 que conheci meu parceiro de vida esportiva, Lars Björkström. Ele trouxe ao Brasil um barco da classe Tornado, algo raro na época devido às restrições de importação. Fiquei fascinado e, a partir desse encontro, iniciamos nossa parceria. Nossa dupla foi construída com muita afinidade, confiança e complementaridade”, conta Alex.
“Nossa parceria se construiu naturalmente, com muito entrosamento dentro e fora do barco. Quando cheguei ao Brasil, comecei a frequentar clubes náuticos e foi nesse ambiente que conheci o Alex. Eu havia conseguido trazer um barco da classe Tornado da Europa, algo bastante complexo na época, devido às restrições de importação. Esse encontro foi decisivo para a formação da nossa dupla”, relembra Lars.
Nascido na Suécia em 1942, Lars veio ainda jovem para o Brasil, país que tem como casa. Para ele, a vela sempre teve um forte componente de amizade, convivência e aprendizado coletivo, tudo o que a dupla viria a conquistar para além da medalha em Moscou.
“A campanha olímpica de 1980 foi resultado de muito aprendizado, experimentação e dedicação. O Tornado era um barco inovador, exigente e técnico. Essa conquista foi um marco histórico. Não apenas pelo resultado, mas pelo significado de abrir caminho para a vela brasileira no cenário olímpico”, conta.
A parceria entre Lars e Alex teve início mesmo há 50 anos, em 1976. Durante quatro anos, a dupla testou materiais, ajustou equipamentos e treinou firme para um bom resultado em Moscou. A conquista veio de forma surpreendente, já que a dupla não figurava entre as favoritas.
“Ao longo das regatas, fomos ganhando confiança. Vencemos duas provas decisivas e conquistamos, de forma surpreendente, a primeira medalha de ouro olímpica da vela brasileira”, relembra Alex, que iniciou sua trajetória na vela em seu estado natal, São Paulo, no Yacht Club Santo Amaro, localizado na represa de Guarapiranga.
“Ser convidado para integrar o Hall da Fama do COB foi uma honra enorme. Um reconhecimento que veio no tempo certo e que representa não apenas uma conquista individual, mas a história e o crescimento da vela e do esporte olímpico brasileiro”, conclui o velejador.
Ao integrar o Hall da Fama do COB, a dupla de velejadores passa a fazer parte de um seleto grupo de lendas do esporte brasileiro, ao lado de nomes como Afrânio Costa, Torben Grael, Daiane dos Santos, Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz, Bernardinho, Hortência, Gustavo Kuerten, Maria Lenk, entre muitos outros ícones do olimpismo nacional.
Nesta edição, o Hall da Fama também eternizará outros grandes nomes do esporte olímpico brasileiro, como Oscar Schmidt, ídolo do basquete e recordista nacional em participações olímpicas, com cinco edições consecutivas dos Jogos, além de Ricardo e Emanuel, campeões olímpicos do vôlei de praia. O evento está marcado para o dia 8 de abril, às 19h, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.











