Painel de abertura do III Fórum Mulher no Esporte debate avanços e desafios do Movimento Olímpico para a equidade de gênero
Governança, liderança e ambientes seguros foram temas abordados durante a discussão. Representante da Panam Sports elogiou iniciativas do COB

Wagner Araújo/COB
O painel de abertura do III Fórum Mulher no Esporte marcou o início de uma ampla reflexão sobre o papel do Movimento Olímpico na promoção da equidade de gênero, reunindo lideranças esportivas, atletas e representantes institucionais para discutir a transição do compromisso formal à implementação de ações concretas.
Com o tema “Movimento Olímpico: do compromisso à implementação”, o debate destacou os avanços institucionais já alcançados e os desafios que ainda persistem para transformar diretrizes internacionais em mudanças estruturais mensuráveis, capazes de impactar positivamente a realidade local das organizações esportivas.
“Eu sempre gosto de falar com as mulheres num tom de encorajamento, de que podemos sim estar onde quisermos estar. E merecemos isso. Mas precisamos nos preparar. Os nossos desafios vão ser sempre muito maiores, de convencimento, de nos provar. Vivemos isso diariamente”, disse Yane Marques, medalhista olímpica em Londres 2012 e vice-presidente do COB, uma das integrantes do painel.
Yane Marques, vice-presidente do COB. Foto de Wagner Araújo
O debate contou com a participação de referências nacionais e internacionais na pauta da igualdade de gênero no esporte. Estiveram presentes Aline Silva, atleta olímpica de wrestling e fundadora do projeto Mempodera; Yane Marques, medalhista olímpica e vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB); Alicia Morea, presidente da Comissão das Mulheres no Esporte da Panam Sports, e Annamarie Phelps, atleta olímpica e presidente do Secretariado do IWG (International Working Group on Women and Sport);
“É essencial que tenhamos mulheres nas instâncias de decisão, e não apenas mulheres brancas, ou que tenham o mesmo olhar. Precisamos de pessoas com diferentes experiências de vida, porque elas trazem uma perspectiva diferente e isso ajudar a tomar as melhores decisões para todos”, destacou Annamarie Phelps.
Annamarie Phelps durante sua apresentação no III Fórum Mulher no Esporte - Foto: Wagner Araújo/COB
A discussão abordou aspectos centrais como governança, liderança, financiamento, ambientes seguros e mecanismos de monitoramento, reforçando a importância de políticas consistentes e de uma atuação coordenada entre diferentes atores do esporte olímpico. O painel também promoveu a troca de experiências e o compartilhamento de boas práticas, incentivando soluções aplicáveis e sustentáveis.
Entre os objetivos específicos do encontro estiveram a análise do estágio atual das políticas de equidade de gênero no Movimento Olímpico, o debate sobre mecanismos concretos de implementação e o estímulo ao alinhamento entre compromissos internacionais e contextos locais, respeitando as particularidades de cada país e organização.
Ao longo do debate, as participantes reforçaram que o avanço da equidade de gênero no esporte exige decisões estratégicas, compromisso institucional contínuo e monitoramento efetivo das políticas adotadas, garantindo que os princípios assumidos se traduzam em oportunidades reais para mulheres em todos os níveis do sistema esportivo, como destacou Alicia Morea. "O COB é um exemplo a ser seguido por todos os países da América. Posso citar aqui pelo menos três iniciativas de grande destaque como a exigência de 30% de mulheres como oficiais nas delegações de Jogos Sul-americanos e Pan-americanos, o programa de Mentoria Individualizada para treinadoras e que deve ser expandido também para gestoras e o investimento específico em projetos voltados para as atletas", elogiou.
Alicia Morea, Presidente da Comissão Mulher no Esporte da PanAm - Foto: Wagner Araújo/COB












