III Fórum Mulher no Esporte debate papel do homem nas iniciativas por igualdade de gênero
Painel indica a falta de engajamento masculino como uma das principais lacunas na busca pela equidade

Wagner Araújo/COB
O segundo painel do III Fórum Mulher no Esporte organizado pelo COB nesta terça-feira, dia 17, discutiu igualdade e inclusão da mulher no esporte através de um mapeamento das organizações esportivas e análise de boas práticas. Durante as discussões acerca de como as organizações esportivas estão promovendo a equidade de gênero, um assunto foi identificado como fundamental na busca soluções mais equalitárias: o engajamento dos homens no debate.
O painel foi composto por por Cacilda Amaral, doutora em ciências pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE - USP); Claudia Romano, presidente do Instituto Yduqs, Vice-Presidente do grupo educacional Yduqs e Presidente do Pacto pelo Esporte; Olga Bagatini, jornalista e ativista pela maior participação das mulheres no esporte; e Ana Paula Oliveira, jornalista, comentarista esportiva, instrutora de arbitragem e ex-árbitra de futebol.
"Muitos homens me perguntam como fazer para ser um aliado? Eles querem, mas não sabem para onde começar. E aí dizemos: 'o primeiro passo é você'. É ter a iniciativa de buscar o conhecimento, se instruir, ler mais mulheres também para ter essa perspectiva ampliada. A partir deste momento que começa a entender os próprios comportamentos, ele se torna uma agente multiplicador. E a ter a coragem de se colocar seja no trabalho, no grupo whatsApp, na turma de futebol. De uma maneira muito tranquila, dizer 'olha, isso que está acontecendo não é muito legal'. A gente precisa dos homens como aliados", convoca Olga Bagatini.
Para Claudia Romano, existe um papel crucial do homem neste assunto: a função de debater com seus pares. "O primeiro passo é essa consciência das próprias ações. Será que eu sou um homem que estou tornando o ambiente mais hostil para as mulheres? Depois ele pode buscar referências no assunto. Mas há pesquisas que mostram que grupos sociais tendem a ouvir mais os grupos sociais aos quais pertencem. Assim, homens tendem a ouvir mais homens. Por isso precisamos de homens falando com homens", defende.
Por isso, entre outros pontos, todas destacaram o poder da divulgação das boas práticas e de mulheres de destaque. "É importante intenção política. É importante educação direcionada. É importante educação de todos os envolvidos. Mas, mais do que isso, é preciso divulgar este tipo de assunto para os quatro cantos do mundo: que existem mulheres fazendo a diferença nas instituições", descreve Ana Paula Oliveira.
"É muito importante que nesses espaços de debate, da igualdade de gênero e da promoção da inclusão das mulheres e meninas do esporte, a gente não esteja só pregando para convertidos, para as pessoas que já tiveram contato com o tema, que já estão conscientes do poder do esporte como essa ferramenta de transformação social. Precisamos trazer também quem ainda não conhece essa pauta ou que ainda não comprou essa briga do nosso lado", acredita Olga.
Palestrante do terceiro painel, "Linha de cuidado da mulher atleta: gestação, pós-parto e retorno ao alto rendimento", o técnico da Seleção feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, mostrou que é um destes aliados. "Já existe um trabalho sendo feito no vôlei, por exemplo, nas categorias de base, já chegando no adulto, e cada vez mais a tendência é o aumento de profissionais em comissões técnicas, como treinadoras. É tudo que a gente sonha. Porque eu acho que a mulher é a parte forte. Sempre que me perguntaram se eu fui um bom pai, digo que não fui. Eu fui um cara que saiu pelo mundo para aprender, enquanto a minha mulher é que segurou a minha casa, que ajudou as minhas filhas a se desenvolverem, a aprenderem. A mulher é muito forte e a gente precisa investir muito para que cada vez elas tenham mais espaço, cada vez elas sejam mais prestigiadas, porque assim o mundo vai ser cada vez melhor", defende.












