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Surfe brasileiro conta com experiência e pioneirismo de Andrea Lopes e Neymara Carvalho em Playa Venao

Pentacampeã mundial e recordista de títulos no Brasil, as técnicas são as únicas treinadoras mulheres no shortboard e bodyboard nos Jogos Sul-Americanos da Juventude Panamá 2026

Por Comitê Olímpico do Brasil

16 de abr, 2026 às 10:00 | 4 min de leitura

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Andrea Lopes e Neymara Carvalho, referências mundiais e treinadoras da seleção nos Jogos Sul-Americanos da Juventude Panamá 2026

Andrea Lopes e Neymara Carvalho, referências mundiais e treinadoras da seleção nos Jogos Sul-Americanos da Juventude Panamá 2026 | Foto: Gabriel Augusto/COB

O surfe brasileiro nos Jogos Sul-Americanos da Juventude conta com um diferencial que vai além do nível técnico dentro d’água. Na beira do mar, o Brasil é a única delegação a contar com mulheres na função de treinadoras nas modalidades de bodyboard e shortboard: Andrea Lopes, recordista de títulos brasileiros, e Neymara Carvalho, pentacampeã mundial de bodyboard. Reconhecidas internacionalmente e com carreiras consolidadas em um esporte historicamente dominado por homens, elas também formam a única comissão técnica do surfe composta por duas mulheres em Playa Venao.

“Fico muito feliz de estar representando a mulher treinadora aqui nos Jogos, sabendo que posso ser uma grande referência para que outras mulheres acreditem e se mantenham firmes junto aos seus respectivos esportes. No próprio surfe é uma honra abrir essa porta e espero que todas venham comigo”, disse Andrea Lopes.

“É uma grande felicidade ter essa oportunidade e acredito que temos que expandir isso. É a primeira vez que o bodyboard é incluído nos Jogos Sul-Americanos e ele está sendo trazido com toda a estrutura que o COB está nos oferecendo, que eu particularmente nunca tinha visto”, completou Neymara Carvalho.

Em Playa Venao, na Península de Azuero, o surfe disputa as modalidades de SUP Surf, SUP race, bodyboard e shortboard. Andrea e Neymara integram a comissão técnica do Brasil junto ao chefe de equipe Américo Pinheiro.

Da carreira como atleta à atuação como treinadora

Após uma carreira marcada por conquistas no shortboard, Andrea Lopes iniciou sua transição para a área técnica com foco na formação esportiva. Nesse processo, integrou o MIRA Treinadoras, programa de mentoria do Comitê Olímpico do Brasil que tem como objetivo promover a equidade de gênero e o desenvolvimento profissional de mulheres treinadoras no esporte de alto rendimento.

A partir desse percurso, passou a atuar diretamente com categorias de base, lidando com os desafios específicos do trabalho com atletas jovens. “Quando comecei a trabalhar com a categoria juvenil, foi realmente um desafio. Tive que entender como me comunicar com essa geração, como criar conexão, como fazê-los escutar, absorver conhecimento e pensar o surfe de forma estratégica”, destaca.

Nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, Andrea Lopes vive sua primeira experiência à frente de uma equipe em um evento multiesportivo continental. “Conseguir fazer essa ponte direta com o jovem e ajudá-lo a pensar dentro d’água é um processo. Eles estão nessa construção da estratégia competitiva, o que só adquirimos ao longo de anos. Mas, aqui, eles estão captando, assimilando e isso já começa a se refletir nos resultados”, explica.

Neymara Carvalho, que soma mais de três décadas de dedicação ao bodyboard brasileiro, completa que o trabalho vai além da orientação técnica e destaca a importância da troca de conhecimento com os atletas: “Eu não chego aqui apenas com a bagagem de títulos, mas com a experiência das derrotas e das vitórias. A gente perde muito mais do que ganha em esportes individuais, e isso é algo importante de compartilhar com eles”.

Capixaba, pentacampeã mundial e ainda ativa no circuito internacional, Neymara soma vivência competitiva e uma atuação consistente no desenvolvimento de atletas por meio do Instituto Neymara Carvalho.

“Eu trabalho com categorias de base há muitos anos, organizando, incentivando e acompanhando atletas no meu Instituto. Receber esse convite da Confederação Brasileira de Bodyboarding e estar aqui nos Jogos foi um momento muito importante, especialmente por estar vivendo uma transição de carreira”, contou.

Ainda ativa nas competições, Neymara destacou que a oportunidade representa um novo passo fora d’água: “O COB me enxergou como treinadora antes mesmo de eu me enxergar dessa forma. Essa missão está sendo um presente dentro desse processo de transição e aprendizado”.

Em Playa Venao, o surfe disputa nesta quinta-feira (16) as finais das quatro modalidades dos Jogos Sul-Americanos da Juventude. Ao todo, o Brasil briga por seis medalhas e já garantiu quatro pódios, incluindo uma medalha de ouro, já conquistada no SUP Race por Rebeka Klotz.

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