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Milão-Cortina

Na Cerimônia de Encerramento de Milão-Cortina 2026, a despedida de Edson Bindilatti

Recordista brasileiro em edições de Jogos de Inverno com seis participações, piloto do bobsled foi porta-bandeira do Brasil e doou capacete para o Museu Olímpico

Por Comitê Olímpico do Brasil

22 de fev, 2026 às 19:30 | 5 minutos de leitura

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Andreas Rentz/Getty Images

O Time Brasil se despediu dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 comemorando o melhor desempenho esportivo alcançado até hoje nas modalidades de gelo e neve. Mas o desfile de delegações na Cerimônia de Encerramento na Arena de Verona foi mais do que isso. Ao entregar a bandeira brasileira para Edson Bindilatti, o Comitê Olímpico do Brasil reconheceu que se despedia de um gigante.

Em seu último dia como atleta olímpico, Bindilatti liderou o 4-man do bobsled no melhor resultado em todos os tempos (19º lugar) e também confirmou que a sexta participação no trenó brasileiro foi sua última. "Eu fico triste porque amo esse esporte. Foram 26 anos de história dentro do bobsled e eu só tenho a agradecer. Tudo que eu fiz, faria de novo. Mas  sei que uma hora tem que acabar, tem o momento de encerrar no alto rendimento e eu me preparei pra isso", disse.

Prestes a completar 47 anos, Edson estreou em Salt Lake City 2002 - a primeira participação do Brasil na modalidade. Não houve bobsled brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno que não contasse com Edson Bindilatti no trenó - seja como pusher, brakeman ou piloto. Um exemplo de longevidade. "Não existe limite. Se você quer de verdade, as coisas acontecem. Aos 46 anos fui 19º colocado nos Jogos Olímpicos, nosso melhor resultado. Se eu consegui, qualquer um consegue. É só acreditar e ter vontade", aconselhou.

Na arena que é Patrimônio Mundial da UNESCO, construída no século 1, anterior mesmo ao Coliseu de Roma, Bindilatti desfilou por uma cerimônia que trouxe uma novidade. Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, duas piras olímpicas foram apagadas simultaneamente em duas cidades diferentes: Milão e Cortina d'Ampezzo). O cantor e compositor italiano Achille Lauro, a atriz Benedetta Porcaroli e o DJ/produtor Gabry Ponte estiveram entre as atrações.

O Brasil foi destaque quando um vídeo celebrando grandes performances esportivas nos Jogos mostrou também Lucas Pinheiro Braathen, ouro no slalom gigante do esqui alpino - primeira medalha do país (e da América do Sul) em Jogos de Inverno. A música eletrônica deu o tom em vários momentos, como na homenagem aos voluntários, celebrados no centro do palco. A festa ainda contou com momentos tocantes de balé, uma linda homenagem aos que se foram e um bloco com o tema “Uma Bela Terra: Ciclo da Água”, que exortou o mundo inteiro a se empenhar nos cuidados ao meio ambiente e à natureza.

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Edson Bindilatti esteve em seis edições de Jogos de Inverno. Foto: Gabriel Heusi/COB

Foi a terceira vez que Edson Bindilatti carregou a bandeira brasileira. Ele foi o escolhido nas cerimônias de Abertura de Pyeongchang 2018 e de Pequim 2022, esta última ao lado de Jaqueline Mourão. E na sua última, a honraria veio na Cerimônia de Encerramento. O tamanho de sua importância é reconhecido internacionalmente. Tanto que o piloto brasileiro deu seu capacete na competição deste dia 22 de fevereiro para o Comitê Olímpico Internacional (COI) após a final do 4-man. O item do recordista do Brasil em edições de Jogos Olímpicos de Inverno agora pertence ao Museu Olímpico em Lausanne, na Suíça.

"A doação do capacete para o Museu Olímpico, para mim, é uma coisa sensacional. Eternizando uma história dentro do esporte, da modalidade. Eu sei que tem outras peças de brasileiros lá e fico muito orgulhoso e honrado. Sou muito grato por tudo que me aconteceu ao longo desses anos, pelo bobsled, pelas pessoas que passaram na minha vida. É uma forma de agradecimento por tudo que o esporte me proporcionou. Uma educação melhor, a chance de me tornar um ser humano melhor. Vai ter mais um pouquinho da nossa história no museu. O Brasil vai estar lá eternizado", comentou.

Com toda justiça, já que Bindilatti é parte fundamental da história da modalidade no Brasil e esteve presente desde a estreia olímpica brasileira, em Salt Lake City 2002. Começou como pusher, foi brakeman em Turim 2006 e se tornou piloto a partir de Sochi 2014. O experiente atleta chegou a divulgar a aposentadoria após Pequim 2022. Mas foi convencido a retornar para ajudar a formar novos atletas do bobsled que possam levar adiante o legado que deixa. E faz questão de dizer que para ele não há experiência que se compare ao contato com os colegas de equipe. "Às vezes as pessoas falam das seis Olimpíadas como se eu fosse superior por isso, mas eu não sou mais que ninguém. Eu aprendo muito com quem está chegando, aprendo muito com quem já está”, disse.

Em Milão-Cortina 2026, Edson contou, por exemplo, com o piloto reserva Gustavo Ferreira, de 23 anos, na sua primeira participação em Jogos Olímpicos. “É uma relação de muita parceria e receptividade. Quando os mais novos chegam, é tudo diferente para eles. Tento ajudar ao máximo e deixar esses atletas cada vez mais tranquilos para que eles possam entregar o seu melhor desempenho", explicou.

Mais uma prova da justiça da homenagem nesta despedida. "As cortinas se fecharam para mim aqui, mas vão se abrir para outros atletas. Foi uma forma bonita de encerrar a minha carreira nos Jogos Olímpicos. Obrigado ao Comitê Olímpico do Brasil por ter me escolhido", agradeceu. Bindilatti agora olha para uma modalidade em que ele muda de função. “Eu vejo um futuro muito próspero para o bobsled no Brasil. Hoje temos uma confederação consolidada, que faz um trabalho sério, pensa no desenvolvimento da modalidade e na formação de novos atletas. A gente não vem para brincar, trabalhamos para fazer com que a modalidade cresça bastante. Acredito que esses meninos vão crescer de uma forma grandiosa e eu quero estar por perto pra poder ajudar na evolução desses atletas", adiantou.

Por fim, a Bandeira Olímpica foi entregue pela Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, a autoridades da França, que será sede dos próximos Jogos de 2030 nos Alpes Franceses. É um retorno ao país que sediou a primeira edição. Alpes Franceses 2030 será a quarta edição dos Jogos de Inverno na França, depois de Chamonix 1924, Grenoble 1968 e Albertville 1992.

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