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Sylvio Padilha

MODALIDADE

Atletismo

DATA E LOCAL DE NASCIMENTO

05/06/1909 | Niterói (RJ)

JOGOS OLÍMPICOS

1932 | 1936

CONQUISTAS

5

Medalhas de Ouro

Campeonato Sul-Americano de Atletismo Buenos Aires 1931 Campeonato Sul-Americano de Atletismo Lima 1939 Campeonato Sul-Americano de Atletismo Lima 1939 Campeonato Sul-Americano de Atletismo Lima 1939 Campeonato Sul-Americano de Atletismo Lima 1939

Biografia

Uma história gigante construída nas pistas e no comando do esporte

Primeiro brasileiro numa final de atletismo, militar abriu caminhos numa vida dedicada ao olimpismo, comandou o COB por 27 anos e esteve presente em 15 edições dos Jogos 

Sem glamour algum, com uma perna quebrada, bons resultados no currículo e pouca ou nenhuma noção do que o esperava naquela longa e penosa viagem rumo aos Estados Unidos, o carioca Sylvio de Magalhães Padilha embarcou no navio Itaquicê a caminho dos Jogos de 1932. Junto com ele, outros 81 jovens atletas que integravam a delegação brasileira que disputariam os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Era a primeira vez que Padilha ultrapassava as fronteiras da América do Sul para aquela que seria a primeira das 15 Olimpíadas que fariam parte da sua vida.   

“Aos 25 de junho de 1932, partimos a bordo do Itaquicê rumo a Los Angeles, numa penosíssima viagem de 27 dias...”, escreveu Padilha nas primeiras linhas do seu Diário de Bordo, um documento riquíssimo, com todos os detalhes da jornada.  
“Ao escrever esses apontamentos, ele deixou o único relato, dia a dia, da aventura que foi a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de 1932. Inegavelmente, uma contribuição importante para a história e memória do olimpismo no Brasil”, compartilha a pesquisadora e escritora Laurete Godoy, autora dos livros Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga (1996), Os Olímpicos – Deuses e Jogos Gregos (2012) e Os Olimpiônicos – Heróis e Jogos Modernos (2012). 

Laurete conta que a delegação brasileira enfrentou uma viagem atribulada rumo à cidade-sede. Segundo ela, para conseguir ajuda financeira para a equipe, 55 mil sacas de café foram embarcadas no navio para serem vendidas pelos atletas em todos os portos, desde o Rio de Janeiro até a Califórnia. 

“Esse Diário de Bordo é um documento único, porque o Itaquicê por si só merece um filme. Ele ganhou o apelido de navio fantasma. Também tem aquele relato de que eles tiveram que disfarçar o navio de embarcação de guerra, para poder passar pagando menos no Canal do Panamá; a venda do café. Nesse diário, meu avô conta o que foi a peripécia ou a Torre de Babel, como ele classificou a aventura no navio”, conta o advogado Alberto Murray, ex-membro da Assembleia do Comitê Olímpico do Brasil e neto de Padilha, lembrando que jornalistas fizeram livros a respeito dessa expedição.

Ainda muito jovem, com apenas 22 anos, Sylvio de Magalhães Padilha escrevia em seu Diário de Bordo uma análise que já prenunciava seu futuro como dirigente. 

“O enfoque dele é crítico, a preparação da equipe que havia sido mal feita, o embarque que também estava em desacordo com aquilo que seria o melhor para os atletas naquele momento... Ele relata que muitos atletas ali não tinham a consciência nem a sensação do que era ir para os Jogos Olímpicos, representando o seu país, e que levavam aquilo meio na brincadeira. É a visão de um menino, um atleta com olhar crítico em razão daquilo que poderia ser melhor para uma delegação esportiva”, opina Murray.  

Preconceito 

Bem diferente dos dias atuais, quando os atletas olímpicos são celebrados como ídolos, alguns até com status de celebridade, no início dos anos 1930, representar o país nos Jogos Olímpicos não tinha nada de especial para grande parte da população. 

 “Provavelmente, as críticas aos esportistas tenham sido consequência de uma guerra declarada pelos intelectuais da época, que consideravam os atletas indivíduos ociosos”, diz Laurete Godoy. 

Havia exceções entre os intelectuais, nem todos eram críticos em relação aos atletas. Embora não houvesse os flashes e o batalhão de repórteres característicos do embarque das equipes olímpicas, a delegação de 1932 foi brindada com uma festa no Fluminense Football Club, no Rio de Janeiro, como despedida. Laurete destaca que, durante o evento, o escritor Coelho Netto, considerado o príncipe dos prosadores brasileiros, grande incentivador do esporte no país, fez um discurso de despedida, onde dizia:  

“(...) pela bandeira do Brasil, por nós todos, pelos nossos brios e a nossa glória, o vosso combate. Não esqueçais não, rapazes, que é o Brasil, que é a pátria, que são mais de quatro séculos de energia, de amor, de aventura, que é o Brasil que levais nos músculos.” 

Chances na estreia 

Na opinião de Alberto Murray, Padilha foi o nosso primeiro grande atleta de nível internacional. 

 “Naquela época, ele já tinha tempos, tanto nos 400 quanto nos 110 metros com barreiras, em nível mundial. Era o nosso único atleta com resultados em nível internacional em qualquer modalidade”, revela. “Ele não foi adiante nas provas eliminatórias nos Jogos de 1932 porque embarcou com a perna quebrada e tirou o gesso durante a viagem. Ele quebrara a perna num acidente de montaria de cavalo, no Exército. Eram duas pessoas, os cavalos dispararam e o companheiro dele faleceu [...]”, completa.  

Atleta por acaso 

Filho do João Avelino de Magalhães Padilha, oficial da Marinha e campeão de esgrima, e de dona Thereza de Magalhães Padilha, Sylvio nasceu em Niterói, no dia 05 de junho de 1909. Perdeu a mãe muito cedo, por isso, desde pequeno estudou no Colégio Militar. Treinou natação, vôlei, futebol e esgrima, mas sua paixão maior era o basquete. Um dia, ao acompanhar um amigo que treinava atletismo no América, no Rio de Janeiro, chamou a atenção pelo seu porte – tinha quase 1,90m de altura - e foi incentivado pelo treinador a começar a praticar atletismo. Aceitou a sugestão. Um ano depois, em 1927, transferiu-se para o Fluminense, que oferecia melhores condições de treinamento, e começou a se destacar. Aos 18 anos, disputou sua primeira competição oficial e foi terceiro colocado na prova dos 110 m com barreiras no Campeonato Brasileiro de Atletismo Adulto. Em 1928, alcançou seu primeiro recorde nacional, nos 100m rasos. Ao todo foram 11 recordes brasileiros e seis sul-americanos. Sua trajetória no esporte acontecia paralelamente à sua carreira como militar do Exército.  

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