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Rogério Sampaio

MODALIDADE

Judô

DATA E LOCAL DE NASCIMENTO

12/09/1967 | Santos, SP

JOGOS OLÍMPICOS

1992 |

CONQUISTAS

1

Medalhas de Ouro

Jogos Olímpicos Barcelona 1992

1

Medalhas de Bronze

Campeonato Mundial Hamilton 1993

Biografia

Exemplo de superação dentro e fora dos tatames

Ele enfrentou uma briga contra os desmandos e o autoritarismo dos dirigentes da sua modalidade; teve que superar a falta de estrutura de treinamentos, as dificuldades financeiras, um drama na família e a incredulidade da imprensa e dos adversários antes de entrar no tatame do Palau Blaugrana em 1º de agosto de 1992. Uma vez em ação, deixou tudo patra trás, venceu as cinco lutas e se tornou campeão olímpico da categoria meio-leve (-65kg) do judô nos Jogos Olímpicos em Barcelona. 

Com 20 anos de prática no esporte e infindáveis horas extras de treinos, Rogério Sampaio chegou à Espanha como um ilustre desconhecido. Mas ele acreditava no seu próprio potencial e isso foi o suficiente para subir ao degrau mais alto do pódio e trazer para o Brasil a segunda medalha de ouro olímpica consecutiva da modalidade.  

“Os adversários não me conheciam porque eu estava há dois anos e meio sem participar de competições internacionais. A imprensa nunca me procurava para nada, era muito difícil eu dar uma entrevista, era uma outra época. No dia da competição, eu falava assim: ‘Meu Deus, eu faço esse negócio há 20 anos, eu tenho que conseguir dar o meu máximo, tenho que colocar o meu máximo para fora. Será que vai ter alguém melhor do que eu? Não sei, mas tenho que dar o meu máximo’”, lembra Rogério Sampaio. 

Judô em família 

Caçula de uma família de três filhos, Rogério tinha quatro anos e meio quando o pediatra aconselhou seus pais, a dona de casa Neusa Sampaio Cardoso e o comerciante Sidney Cardoso, a inscrever o menino agitado nas aulas de judô. “Eu acho que a minha mãe não me aguentava em casa. O médico indicou que eu fizesse judô, porque era uma modalidade que me daria disciplina e, como todo esporte, eu poderia gastar aquela energia excessiva”, conta.  

Dona Neusa não demorou a inscrever os dois meninos, Ricardo, o mais velho, e Rogério, na academia do sensei Paulo Duarte, em Santos. “O Rogério logo desistiu. Voltou e, depois de seis meses, quis sair de novo. Ficou fora um tempo e quando voltou, ficou até se aposentar. Ele nunca quis fazer nenhum outro esporte”, detalha a mãe do campeão. 

Minha mãe sempre foi muito disciplinadora, quando eu pedi para parar, ela me alertou que não iria me deixar voltar. Eu insisti e parei. Fiquei nove meses afastado, mas continuava indo à academia com ela para acompanhar o meu irmão. Eu via meus amigos brincando lá e quis voltar, mas a minha mãe não deixou. Demorou um tempo até eu conseguir convencê-la a voltar. Ela falou: ‘Se você voltar, não vou deixar mais você sair’. Aí voltei. Depois de um tempo, eu quis parar de novo e ela não deixou mais, então continuei”, revela Rogério, destacando que o professor Paulo Duarte era muito rígido, mas que as aulas de judô aconteciam num clima de muita diversão.  



No pódio na primeira competição 

Sampaio começou a competir aos seis anos e meio e a primeira medalha veio logo na estreia. “Fiquei com a medalha de bronze. Detalhe: só tinham três competidores na minha categoria, fui o último colocado”, diverte-se.  

Rogério e Ricardo, o irmão quatro anos mais velho, sempre tiveram muito apoio dos pais, mas sem cobranças. “Minha mãe nunca me cobrou resultado. Ela cobrava assiduidade, não podia faltar aos treinos, eu tinha que me esforçar para atender a todas as orientações do professor, respeitar os meus amigos e me esforçar ao máximo para aprender os movimentos”, compartilha.  

Iniciativa própria para ir além 

Entre os 13 e os 14 anos, o futuro campeão olímpico passou a treinar judô todos os dias. Duas vezes por semana, ele se dedicava à parte física, que consistia em fazer musculação na academia. “Eu tinha muita dificuldade, não conseguia fazer, me sentia muito fraquinho”, confessa. 

Rogério conta que alguns companheiros de treino já tinham bons resultados em competições como os Campeonatos Paulista e Brasileiro. Como almejava os mesmos resultados, decidiu pôr em prática uma nova estratégia. “Eu questionava por queos meus amigos conseguiam resultados e eu não, se a gente fazia a mesma coisa, o mesmo treino”, divide. “Cheguei à conclusão de que, se eu não conseguia resultados, tinha que treinar mais do que eles. Comecei a treinar mais, a fazer algumas coisas por conta própria, como subir o morro correndo, fazer os meus exercícios em casa, essas coisas. E comecei a evoluir”.  

Aos 15 anos, o judoca santista começou a se destacar. Conquistou a medalha de prata na sua estreia no Campeonato Paulista, uma das competições mais fortes do país. Em 1983, sagrou-se campeão paulista e campeão brasileiro. A partir daí, começou a figurar entre os principais atletas do Estado e do Brasil.  

Referências 

Até 1984, o a única medalha olímpica conquistada pelo judô do Brasil era a de Chiaki Ishii, japonês naturalizado brasileiro, bronze em Munique 1972. “Os ídolos que a gente tinha naquela época eram o Walter Carmona, bronze no Mundial Paris 1979, e o Chiaki Ishii. Posteriormente, eu conheci o Aurélio, que começou a se destacar em 1983." 

“Era difícil”, desabafa Rogério. “A gente achava que ser medalhista olímpico era uma coisa impossível. Campeão olímpico, então, nem pensar. O Brasil foi ter um campeão olímpico de judô em 1988, quando eu já tinha 20 para 21 anos. Imagina você ter que se desenvolver na sua carreira sem ter referências como acontece com a geração atual? Ser medalhista olímpico no Brasil hoje é muito importante e continua sendo muito difícil, mas você tem um grande número de pessoas que conseguiram, você já se desenvolve na modalidade entendendo que esse sonho é possível, é viável, depende de dedicação”, avalia.  

Sonho possível 

As transmissões ao vivo dos Jogos Olímpicos Los Angeles 1984 pela televisão marcaram a memória e o coração do futuro campeão. “Eu me lembro nitidamente do Ricardo Prado, como um dos grandes ícones do esporte brasileiro quando conquistou a medalha de prata nos 400m medley, na natação”.  

O ouro de Joaquim Cruz, nos 800 metros rasos, no atletismo, também foi inesquecível para ele. “Lembro muito bem da prova e depois da comemoração dele, dando a volta olímpica na pista com a bandeira do Brasil na mão. São ídolos fora da minha modalidade que me inspiraram”, conclui. 

 “Eu tenho um tremendo respeito pelo Rogério Sampaio. Para mim, ele e mais outros dois no Brasil são atletas olímpicos 24 horas, sete dias por semana. São atletas que após terem chegado ao nível mais alto, continuaram sendo inspiração dentro e fora das arenas em termos de comportamento e de responsabilidade. Não adianta você ganhar uma medalha e não servir de inspiração para os jovens, e o Rogério tem feito isso na liderança do COB, como diretor. Ele nunca esqueceu da responsabilidade olímpica que ele tem por ele estar à frente, trabalhando e ajudando outros atletas a começarem e conquistarem, a chegarem ao nível mais alto olímpico”, declara Joaquim Cruz.  

Naqueles Jogos, o judoca Douglas Vieira conquistou a medalha de prata e  Walter Carmona e Luiz Onmura ficaram com o bronze. As três medalhas deram início à tradição vencedora do judô brasileiro, que se manteve presente no pódio olímpico em todas as edições dos Jogos desde então.