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Renan Dal Zotto

MODALIDADE

Vôlei

DATA E LOCAL DE NASCIMENTO

19/07/1960 | São Leopoldo, RS

JOGOS OLÍMPICOS

1980 | 1984 | 1988 |

CONQUISTAS

3

Medalhas de Ouro

Mundialito Rio de Janeiro 1982 Jogos Pan-americanos Caracas 1983 Mundialito São Paulo 1984

2

Medalhas de Prata

Jogos Olímpicos Los Angeles 1984 Mundial Buenos Aires 1982

1

Medalhas de Bronze

Jogos Pan-americanos Indianápolis 1987

Biografia

Na quadra e no banco, uma vida para manter o vôlei no topo

Títulos impressionantes como “Jogador de vôlei do século 20”, “Melhor jogador do mundo”, “Jogador mais espetacular do mundo”, “Melhor defesa do mundo” e “Melhor atacante do mundo” já foram atrelados ao nome de Renan Dal Zotto. Coimo jogador, ele participou de três edições de Jogos Olímpicos (Moscou 1980, Los Angeles 1984 e Seul 1988). Atacante da "Geração de Prata", ajudou a transformar o vôlei mundial.  

"O Renan faz parte de um grupo de jogadores diferenciados. O voleibol é composto por seis fundamentos: saque, recepção, levantamento, ataque, bloqueio e defesa, e o Renan fazia tudo isso muito bem. Um jogador completo, tremendamente habilidoso e muito dedicado”, avalia Antônio Carlos Moreno, que defendeu o Brasil em quatro edições dos Jogos Olímpicos, e era capitão da seleção quando Renan chegou ao time.  

“Ele foi um jogador completo, versátil, capaz de atuar em diversas posições, realizar funções que poucos ou quase ninguém conseguia”, reforça Bernardinho, ex-técnico da seleção brasileira e companheiro de "Geração de Prata". 


Paixão pelo futebol, talento para o vôlei 

Renan ainda era menino quando a seleção brasileira de futebol conquistou o tricampeonato na Copa do México, em 1970. Aos 10 anos, ele calçou as chuteiras e foi treinar na escolinha de futebol do Grêmio, buscando aperfeiçoamento. “Eu adorava futebol”, diz.  

O futuro do garoto no esporte passou a tomar outro rumo quando ele começou a jogar vôlei nas aulas de educação física na escola. “Passei a brincar de vôlei também no recreio. Depois vieram os treinos, no final da tarde, depois do turno escolar”, lembra. Uma nova paixão havia chegado para ficar.  

Renan conta que ficou um ano ou dois treinando na escola, até que o seu professor, João Batista dos Santos, o levou para treinar no clube. “Esse professor foi a primeira grande influência de voleibol na minha vida. Ele era o treinador da Sogipa também. Levou alguns garotos do colégio para treinar no clube e, dali para frente, eu nunca mais parei”, celebra.  

O futuro “Jogador de vôlei do século 20” começou a treinar em todas as categorias com o técnico João Batista. Vieram as primeiras competições, os primeiros Jogos Estudantis e, em pouco tempo, a primeira convocação para a seleção gaúcha. “Quando joguei a minha primeira competição juvenil, em Campinas, em 1976, fui eleito o melhor jogador do campeonato. Eu tinha 16 anos e fui convocado para a seleção brasileira”, divide. 

Paparicado 

Renan Dal Zotto nasceu em 19 de julho de 1960, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Filho do meio de Radamés Luiz, proprietário de uma loja de autopeças e apaixonado por peladas de futebol, e da cabeleireira Tereza, o menino cresceu sendo paparicado pelas irmãs Magda e Giovana.  

“Quando eu era garoto, elas iam me buscar no treino e na escola. Eu sentia a maior vergonha”, confessa Renan, destacando que ganhou a terceira irmã com o nascimento de Carolina, fruto do segundo casamento do pai. Quando se tornou o jogador preferido das tietes, nos anos 80, as irmãs o ajudavam respondendo todas as cartinhas. “Eram muitas cartas que chegavam pelo Correio e eu só assinava. Elas respondiam com o maior carinho”.   

Um pouco antes de ser convocado para a seleção, Renan e o time da Sogipa foram levados pelo treinador para assistir ao amistoso entre Brasil e Japão, em Porto Alegre. Na quadra estava a equipe brasileira que disputaria os Jogos Olímpicos Montreal 1976. O jovem jogador ficou impressionado.  



“Eu falava: Caramba! Voleibol é totalmente diferente daquilo que a gente faz aqui. Era uma violência, era uma velocidade... Pensava: Meu Deus do céu, nunca vou conseguir chegar a esse nível”, recorda. “O cara que mais me chamava a atenção era o Bernard. Eu fiquei olhado a velocidade de perna, do braço dele, o salto. E, no mesmo ano, eu estava jogando com ele no Sul-americano em La Paz, na Bolívia. Ele foi para os Jogos e, depois, e eu tive a oportunidade de jogar com ele a minha primeira competição. Foi muito impactante para mim”.  

Frio na barriga 

Acostumado à rotina tranquila de escola, clube e competições locais, Renan se assustou bastante com a primeira convocação para defender o Brasil. “Fiquei meio em pânico porque eu era um garoto que tinha saído uma vez só do Rio Grande do Sul. Fiquei sempre ali, no meu mundo e, de repente, fui convocado para uma seleção brasileira para treinar no Rio de Janeiro”, revela ele, lembrando que, naquela época, ninguém pensava em viver do voleibol. “A gente tinha só o orgulho e o prazer de poder jogar pelo Brasil. O vôlei não era profissionalizado”, pontua. 

Como a maioria dos jogadores, Renan sonhava ter uma profissão, por isso, conciliava o voleibol com os estudos desde a adolescência. “Meu sonho era ser arquiteto, eu fiz dois anos e meio de Arquitetura. Depois, fui morar no Rio de Janeiro, fiz um semestre de Engenharia Civil, mas não consegui acompanhar. Mudei para Educação Física, fiz dois anos. Fui pulando de galho em galho e, por fim, fiz os cursos e tirei o CREFI provisionado para poder militar como treinador”, detalha.  

Levantador reserva 

Depois de conquistar a medalha de bronze no primeiro Campeonato Mundial juvenil, no Rio de Janeiro, em 1977, Renan disputou a Copa do Mundo adulta no mesmo ano. Em 1978, estreou no Campeonato Mundial com a seleção principal, em Roma, na Itália, jogando como levantador.    

“Eu fui como levantador, era reserva do William, mas adorava atacar. Aí o Moreno (Antônio Carlos Moreno, capitão da seleção) me chamou e disse: ‘Cara, vai para atacante que você vai se dar bem!’ Eu fui e foi a melhor coisa que eu fiz, porque depois o nível de concorrência dos levantadores subiu bastante. O sarrafo sempre foi muito alto, desde a época do Bebeto, depois William, Ricardinho, Maurício, passando por todos os que foram campeões, o nível foi lá em cima. Ainda bem que eu fui ser atacante e fiz uma trajetória dentro da seleção até os Jogos em Seul”, compartilha.   

Versátil 

Renan mostrava excelência em todos os fundamentos. A versatilidade que fez toda diferença na carreira foi fruto de treinamentos exaustivos. “Eu devo isso ao professor João Batista, ele me estimulava a treinar todos os fundamentos e a desenvolver todas as habilidades possíveis. A gente treinava demais. Ele mesmo falou que eu tinha condições de ser levantador. Eu gostava também daquilo, tanto que no Mundial juvenil, em 1977, nós jogávamos num formato totalmente diferente, que era 3-3, três levantadores e três atacantes. Só que os levantadores também atacavam, e eu era um deles”, explica Renan Dal Zotto.  

“Na época era diferente. Hoje o oposto só ataca naquelas posições. Na época você tinha uma versatilidade maior, vários jogadores poderiam jogar tanto de ponteiros como opostos, não existia o líbero, então até os centrais tinham que passar. Montanaro, Xandó, Renan e Bernard se destacavam por serem versáteis, e o Renan talvez fosse o mais completo de todos eles”, destaca William Carvalho da Silva, capitão da "Geração de Prata".  

Renan lembra que depois de atuar como atacante de ponta e oposto durante a carreira inteira no Brasil, voltou a ser levantador na Itália. “Nosso levantador titular se machucou, e eu acabei assumindo a titularidade como levantador depois de velho. Foi muito importante para a minha carreira, como crescimento profissional, ter desenvolvido mais habilidades”, conclui.  

Estreante na União Soviética 

Renan tinha 20 anos quando fez sua estreia em Jogos Olímpicos, em Moscou 1980. “Eu me lembro que antes dos Jogos a gente foi para a Itália e para outros países treinar. Tudo aquilo era muito novo para mim. Em Moscou, tudo era muito rígido, muito cheio de regras, aquilo era muito impactante. Como a gente era muito jovem, e o Brasil nunca ia como candidato a ganhar os Jogos Olímpicos, era tudo um grande aprendizado”, relembra. 

A seleção terminou em quinto lugar, mas a competição ficou para sempre marcada na memória do estreante. “Foi muito emocionante a cena em que o ursinho Misha apareceu num mosaico chorando na Cerimônia de Encerramento. É uma imagem que eu tenho muito forte dessa minha primeira participação”, compartilha.