Indicada ao Prêmio Brasil Olímpico, Ana Marcela Cunha encara nova maratona para participar dos Jogos Escolares da Juventude

Mesmo com agenda apertada, atleta baiana fez questão de acompanhar a nova geração do esporte nacional em Natal (RN)

Washington Alves/Exemplus/COB
15/11/2018 11:59

Na última sexta-feira, dia 9, Ana Marcela Cunha comemorava a conquista do Circuito Mundial de Maratonas Aquáticas pela quarta vez, em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos). No final de semana, desembarcou em São Paulo para compromissos com patrocinadores. Na terça-feira, 13, chegou a Natal (RN) disposta a acompanhar cada detalhe como Embaixadora da edição nacional dos Jogos Escolares da Juventude. Na quarta, Ana foi anunciada concorrente a melhor atleta do ano do Prêmio Brasil Olímpico 2018, a festa de gala do esporte brasileiro organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).

“Essa correria tem sido novidade pra mim. Desde que cheguei de Abu Dhabi só tive um dia relax e depois foram vários compromissos. Mas foi um prazer passar por Natal e ter contato com esses jovens atletas. Isso me traz uma energia muito boa. A troca de experiência está muito legal. Tento passar tudo o que aprendi ao longo da vida. Ganhar, perder, se dedicar, ter disciplina. Acho que estou conseguindo passar isso pra garotada. Ser embaixadora dos Jogos Escolares me deixa muito feliz”, disse a nadadora. “É um evento que adoraria ter competido, mas a idade não permitiu. Então, faço questão de vir e mostrar aos jovens que somos tocáveis. Já tive meus ídolos e agora estou do outro lado, retribuindo o carinho com fotos, abraços e conselhos”, disse a atleta.

Em Natal, em meio à nova geração do esporte brasileiro, a atleta baiana de 26 anos recebeu a notícia de que estava concorrendo mais uma vez a Melhor Atleta do Ano do PBO, prêmio já conquistado em 2016. Ana Marcela concorre com Ana Sátila (canoagem) e Marta (futebol). No masculino, a disputa é entre Gabriel Medina (surfe), Isaquias Queiroz (canoagem) e Pedro Barros (skate). Os vencedores serão anunciados no dia 18 de dezembro, no Rio de Janeiro. “Estar mais uma vez entre os indicados, entre tantos brasileiros que se destacam mundo a fora, já é uma realização. Estou muito feliz de, novamente, estar entre as melhores”, disse Ana Marcela. “Sei que será uma final disputadíssima, com a Marta e a Ana Sátila, mas eu também confio no ano que eu fiz durante todo ano“, completou a baiana.

Com o tetra da Copa do Mundo (venceu também em 2010, 2012 e 2014), Ana garantiu o titulo de melhor do mundo do ano da premiação da Federação Internacional de Natação Amadora (FINA), em dezembro na China. Com isso, a brasileira passa a ser a maior vencedora de títulos da modalidade. “Nenhuma atleta conseguiu conquistar esse prêmio cinco vezes, é algo inédito, assim como o tetra da Copa. Foram cinco pódios em sete etapas nadadas. Resultados importantes, em competições com atletas muitos fortes. Acredito que tenha sido um super ano para mim”, afirmou Ana, já pensando na temporada que vem. “Minhas prioridades são os Jogos Pan-americanos de Lima e o Campeonato Mundial, em julho, que será seletivo para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020”.

Ana Marcela é uma das nove Embaixadoras dos Jogos Escolares 2018, ao lado de Daniele Hypolito (ginástica artística), Joanna Maranhão (natação), Tiago Camilo (judô), Duda Vaz (judô), Fabi (vôlei), Magnólia Figueiredo (atletismo), Rodrigo Sacramento (professor de matemática) e Carol Mendonça (professora de língua portuguesa). A maratonista aquática fica em Natal até esta quinta-feira, 15, pois ainda tem dois campeonatos até o final do ano: um desafio em Manaus (AM) contra a holandesa Sharon Van Rouwendaal, campeã olímpica no Rio 2016, e o Rei e Rainha do Mar, no Rio de Janeiro.

A capital carioca, por sinal, virou a nova casa de Ana Marcela em 2018. A convite do Comitê Olímpico do Brasil (COB), a baiana passou a treinar diariamente no Centro de Treinamento do Time Brasil, no Parque Aquático Maria Lenk, e os resultados dessa parceria já rendem frutos para a atleta: medalha de bronze no Pan-Pacífico (10km) e tetracampeonato do Circuito Mundial, com direito a um grande susto na última etapa.

“A dois dias da prova em Abu Dhabi, percebi que havia muitas águas-vivas no local de prova. Isso costuma ser normal, mas dessa vez ela pegou no meu rosto. Como a pele é muito sensível, a dor é dez vezes pior: senti o nariz, a boca e até o olho, apesar dos óculos. Chorei de dor. Ainda sofri uma queimadura no ombro, que coçou bastante, mas segui na prova. Posso dizer que foi uma experiência ruim, que teve um lado positivo: se eu passar por isso de novo em uma grande competição, já saberei qual é a sensação”, finalizou a atleta, que ainda conseguiu concluir a prova na terceira colocação.

Os Jogos Escolares da Juventude são organizados e realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), correalizados pelo Ministério do Esporte e Grupo Globo, com patrocínio da Coca-Cola e parceria do Governo do Estado do Rio Grande do Norte.