COB lamenta o falecimento do treinador Jesús Morlán

Espanhol trabalhava no Brasil desde 2013 e levou a canoagem velocidade do país a conquistar três medalhas olímpicas e 10 mundiais


11/11/2018 16:31

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) lamenta informar o falecimento, na manhã deste domingo, dia 11, em Belo Horizonte (MG), aos 52 anos, do treinador da seleção brasileira de canoagem velocidade, Jesús Morlán, em consequência de um tumor no cérebro.

Morlán foi diagnosticado com câncer cerebral em novembro de 2016. O treinador passou por uma cirurgia, além de intenso tratamento nos últimos anos com uso de quimioterapia e radioterapia, entre outras tentativas.

Jesús Morlán é um dos maiores treinadores de todos os tempos e revolucionou a canoagem brasileira. O espanhol foi contratado pelo COB para trabalhar no Brasil 2013 e, sob seu comando, a modalidade alcançou resultados históricos, como as três medalhas nos Jogos Olímpicos Rio 2016, com Isaquias Queiroz e Erlon de Souza, além de 10 em Mundiais.

Antes de liderar o Brasil, como treinador da equipe espanhola, Morlán levou o canoísta David Cal a conquistar cinco medalhas em Jogos Olímpicos (um ouro e quatro pratas) e se tornar o atleta espanhol com mais medalhas olímpicas em toda história do país, além de outras dez em Campeonatos Mundiais.

O presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Paulo Wanderley Teixeira, lamentou profundamente o falecimento de Jesús Morlán, lembrando dos valores que conduziam o trabalho do treinador espanhol. “Nos deixou hoje uma pessoa insubstituível. Mais do que a perda de um excelente profissional, com uma competência diferenciada, que realizava um trabalho em alto nível defendendo a canoagem brasileira e liderando um projeto de sucesso, com uma metodologia criada por ele que gerou inúmeras conquistas esportivas para o esporte olímpico do nosso país, perdemos também um ser humano que conduzia seu trabalho sustentado na ética e nos valores morais e pessoais que acreditava”, afirmou Paulo Wanderley.

O diretor de esportes do COB, Jorge Bichara destaca a luta do treinador para melhorar a vida de seus atletas através do esporte. “ Jesus sempre demonstrou uma atenção e preocupação enorme com o bem estar das pessoas que o cercavam e especialmente com a vida familiar e o futuro dos atletas que treinava. Lutou bravamente contra uma doença muito agressiva e sempre nos pediu para continuar orientando e liderando o time, e fazendo o que o deixava mais feliz ... e assim o fizemos”, disse Bichara. “Nesse momento temos que dar conforto a Tania sua esposa e Sofia, sua filha, além de seus familiares e amigos na Espanha e no Brasil”, completou o diretor de esportes do COB.

A esposa de Jesús Morlán, Tania Ospina, que mora na Colômbia, chega ao Brasil neste domingo para a cremação do corpo de Jesús. As cinzas serão levadas para a Colômbia, como era o desejo do treinador.

O Comitê Olímpico do Brasil se solidariza aos familiares e amigos de Jesús Morlán, na certeza de que suas conquistas e trabalho ficarão para sempre na história do esporte olímpico brasileiro. A entidade decreta luto oficial por três dias e terá sua bandeira hasteada a meio-mastro neste período.