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06 de de 2009


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Diretamente de Pequim o Time fala sobre os Jogos Olímpicos de 2008!
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BERNARDINHO

Bernardinho está em sua sétima participação em Jogos Olímpicos, contando como jogador da Geração de Prata do voleibol, auxiliar técnico e treinador, função em que foi campeão olímpico em Atenas 2004, com a seleção masculina, e medalhista de bronze duas vezes, com a feminina, em Atlanta 1996 e Sydney 2000. Conhecido por seu profissionalismo no comando da seleção brasileira de voleibol e por suas reações em quadra, Bernardinho está ciente da expectativa em torno da equipe masculina do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim. “Podemos garantir empenho e muito trabalho”, afirma.
 
Qual é a sua expectativa para Pequim? Pode apontar quais serão os maiores adversários da seleção brasileira?

A expectativa é grande em torno do Brasil. Sabemos da cobrança que existe e conhecemos todas as dificuldades que já enfrentamos. Quem vê de fora, só sabe dos resultados e talvez não perceba tudo que passamos. Pelas dificuldades que enfrentamos, poderíamos não ter conquistado tudo que temos. As disputas em Pequim serão mais equilibradas do que em Atenas. Há mais equipes brigando pelas medalhas. Coloco Rússia, Bulgária, Estados Unidos, Sérvia, Polônia e Itália como reais candidatas, ao lado do Brasil. A competição será difícil desde o começo, na fase de grupos. Será uma prova de fogo e superação para esta geração que já conquistou tanta coisa. Os torcedores acham que a medalha é certa, mas isso não existe. Podemos garantir empenho e muito trabalho, mas em uma disputa entre equipes o vencedor não é definido por antecipação.

A cultura chinesa é bem diferente da brasileira. Você está familiarizado com essas diferenças?

Já tive algumas oportunidades de visitar a China e considero a cultura deles interessante. Mas nos Jogos Olímpicos cria-se um ambiente internacional, onde todas as culturas estão inseridas. A China certamente buscará organizar a competição com a maior perfeição para mostrar, como grande potência que é, que pode receber qualquer evento.

Já cometeu alguma gafe ou viveu uma situação curiosa em suas visitas para o Oriente?

Isto nunca aconteceu, até porque como visitante sempre tomo cuidado e respeito a cultura local. Naturalmente, por não conhecermos bem os hábitos, ficamos um pouco na defensiva, para evitar transgredir alguma coisa. Ninguém está livre de gafes, mas procuramos sempre evitá-las com este comportamento.

O Oriente não chega a ser uma novidade para você. Como se adaptar ao fuso horário, é complicado? Você tem dificuldade ou devido às muitas idas ao Oriente para jogos já possui alguns macetes para se adaptar mais rápido? Pode aconselhar algo para os marinheiros de primeira viagem com diferença de fuso tão grande?

É uma questão bastante pessoal. Há pessoas que se adaptam ao fuso extremamente rápido, mas há outras que têm maiores dificuldades. A alimentação é fundamental e manter uma certa disciplina para se adaptar o mais rápido possível também. Mas varia de cada um. Os primeiros dias são ruins, o sono à tarde é incontrolável e você acorda muito cedo de manhã. Cada um deve achar o caminho para ajustar seu relógio biológico.

Pretende visitar algum lugar da China durante sua estadia? Quais?

Da Vila Olímpica ao ginásio, do ginásio à Vila Olímpica. Este será meu itinerário. Talvez, na última noite, possamos visitar algum lugar para comemorar a conquista de uma medalha. Seria o final de um ciclo bacana.

Partidas de Jogos Olímpicos costumam ser mais tensas que as habituais. Você costuma fazer algo para descontrair o ambiente em momentos de grande tensão ou em véspera de jogos decisivos? Ou de certa maneira esse ambiente tenso ajuda de alguma forma?  

Pela falta de experiência, alguns podem sentir uma pressão maior, mas boa parte do grupo já está acostumada e sabe que isso faz parte do processo. Jogar sob pressão é o que diferencia os campeões dos bons jogadores. E eles têm sabido lidar com esta parte do processo. Minha preocupação é que o esporte seja colocado na perspectiva correta. Eles não podem ser medidos como máquinas de vitórias ou derrotas, e sim por suas atitudes e por seu caráter. Ganhar e perder faz parte do processo.

Você recorda de algum momento em que a torcida foi fundamental para a boa performance da seleção brasileira de vôlei?  E para o seu desempenho particular, tanto como atleta, como treinador, em algum momento a participação da torcida foi decisiva para a melhora de sua performance?

De um modo geral, isso acontece muito nos jogos no Brasil, onde há um envolvimento muito maior da torcida, que lota o ginásio. Fora do Brasil é mais difícil. Certamente teremos o apoio de torcedores em Pequim, mas é difícil imaginar que eles serão tão numerosos a ponto de influenciar no desempenho. Mas, saber que os que estarão lá, e também que os que não estarão, torcerão por nós é sempre uma energia positiva. As pessoas querem o nosso bem. Todas as mensagens de carinho que recebemos dentro de um processo olímpico são muito importantes. Vem para dar uma força, para nos ajudar.
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