Grandes potências olímpicas como referência
Com foco em Londres 2012 e no Rio 2016, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) elaborou uma estratégia bastante clara para alcançar as metas estabelecidas. Estudou as práticas das principais potências olímpicas, avaliou métodos e tirou conclusões. Hoje, a entidade lida cientificamente com dados e informações para reforçar suas bases de atuação. Tudo para levar ao cumprimento de etapas importantes para a obtenção de bons resultados.
Dentro dessa perspectiva, o COB não somente identificou cenários, mas firmou um plano estratégico para que os brasileiros conseguissem ficar mais bem posicionados no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos. E outras ações também estão sendo desenvolvidas a fim de ampliar o número de modalidades com potencial para subir ao pódio.
Observando a experiência de países bem sucedidos, foi constatada a necessidade de ações estruturadas de desenvolvimento, em mais de 20 modalidades, para ampliar as chances de se atingir o objetivo. A receita é dosar, de forma científica, habilidade e talento com potencial de resultado, assemelhando-se ao que hoje é realizado por grandes potências como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Coreia do Sul, França, entre outras.

Onde investir? Esportes coletivos e/ou individuais?
Como saber em quais modalidades o país deve apostar? A experiência mostra que nenhum país investe igualmente em todo o conjunto das modalidades olímpicas que, para o programa de Londres 2012, foram 40. Privilegiaram-se naturalmente aqueles que estavam em um estágio de desempenho mais avançado ou cuja capacidade de rendimento foi nitidamente percebida. No caso do Brasil, a definição não cabe somente ao COB, e sim a um grupo de agentes formado também por confederações, Ministérios do Esporte e clubes.
Muitos atletas de alto rendimento competem em esportes coletivos, que, por tradição, são mais reconhecidos e valorizados no Brasil. Essas modalidades contam com equipes numerosas, mas cada uma pode trazer somente uma medalha para o país. Isso obriga o COB a desenvolver uma estratégia bem particular e a empreender uma ação diferente dos países onde o esporte individual tem mais força, o que naturalmente conduz à conquista de mais medalhas.
O fato de, nos esportes coletivos, a medalha ser contada por equipes, e não por atleta, não é tomado como um fator negativo. Apenas serve para alertar que as soluções de melhoria de desempenho não podem simplesmente ser importadas na forma de um pacote pronto. Tais ações devem estar alinhadas com a vocação natural do Brasil, compondo uma saída que, sob medida, atenda às demandas do esporte nacional.
Conheça a análise sobre modalidades e carros-chefe
Há bastante clareza sobre outro aspecto: quando se faz uma análise das edições olímpicas mais recentes, é fácil comprovar que os dez primeiros colocados no ranking de maiores medalhistas olímpicos chegam ao pódio em pelo menos 12 modalidades, entre as quais uma delas é considerada carro-chefe.
Tomando dois países Top Ten como exemplos, é possível observar que em Pequim 2008 a Austrália obteve 20 medalhas só na natação, e que a Grã-Bretanha conquistou 14 apenas no ciclismo, fazendo valer sua força em esportes nos quais tradicionalmente tem grande destaque. Já em Londres 2012, a Austrália conquistou 10 medalhas na natação, enquanto a Grã-Bretanha subiu 9 vezes ao pódio no ciclismo.
Entre os países que são adversários diretos do Brasil na busca por um lugar entre os Top Ten, também é clara a presença de um esporte que pode ser definido como carro-chefe: em Pequim 2008, a Itália, por exemplo, conquistou sete medalhas unicamente na esgrima, voltando a repetir esse número em Londres.
No caso brasileiro, o judô tem notada relevância – foi o esporte que ganhou mais medalhas. Traduzindo em números: 56 medalhas são disputadas no judô, sendo que cada país pode ganhar, no máximo, 14. O Brasil conquistou três em Pequim 2008 e quatro em Londres 2012. Para que o esporte seja considerado um autêntico carro-chefe do país, como a natação é para a Austrália, por exemplo, seu rendimento precisa crescer de forma expressiva.
Desde 2000, o país sempre ganha medalhas em pelo menos sete modalidades. Para figurar entre os Top Ten, precisa-se de uma modalidade carro-chefe e garantir medalhas em, pelo menos, 13 modalidades – Em Londres 2012, o décimo colocado, a Coreia do Sul, conquistou em 12. Em função dessa realidade, o Brasil, por meio do COB e das Confederações, atua para transformar o cenário do esporte olímpico.